Faz
tempo, quase 11 anos já, mas lembro muito bem do dia em que
cheguei para amigos e parentes e comuniquei a minha decisão
de largar meu tradicional e promissor trabalho na área de informática
para ser DJ.
A cara de espanto e descrédito das pessoas
quase me fez desistir na época..."DJ?! O que é
DJ? Trabalha de noite é? Que horror! Você está
louco? Que tipo de futuro você quer ter na sua vida sendo DJ?"
Ouvi coisa muito pior do que isso. Mas sabia que
no fundo eu não tinha muita escolha, sentia que o caminho a
seguir era esse mesmo. Eu tenho paixão por música e
sabia que tinha bom gosto musical, dado ao número de fitas
que os amigos me sempre pediam para gravar. Além disso, eu
não estava feliz trabalhando no escritório, batendo
cartão todo dia, das 8 da manhã às 6 da tarde.
Confesso
que me arrisquei, passei momentos díficeis e várias
vezes quase tive que desistir pela falta de grana. Apoio da família
e amigos? Só aquele protocolar e obrigatório mesmo.
Na verdade, nunca ninguém acreditou de verdade no meu trabalho
como DJ. Acreditavam em mim, no meu potencial, desde que eu deixasse
de ser DJ e seguisse alguma carreira tradicional como médico,
advogado ou engenheiro.
Hoje, quando vejo um monte de "celebridades"
com um fone na orelha, mal sabendo onde mexer nos equipamentos, tentando
parecer DJs...percebo que os tempos mudaram.
Hoje é bonito ser DJ, tá na moda ser
DJ. Alguém lembra de como e onde os DJs trabalhavam anos atrás?
Sempre escondidos em pequenas salinhas, que mal viam a pista de dança.
Até dentro de um banheiro fechado eu já toquei, numa
festa de alta sociedade, onde os aparelhos não podiam aparecer
porque que eram "feios" e tinham "muitos fios",
segundo a dona da festa.
Confesso que fico muito feliz com essa mudança.
O reconhecimento que eu tanto acreditava, finalmente veio. Hoje os
bons DJs ganham bem, têm destaque na mídia e, nas festas,
são colocados nos palcos, em evidência, como verdadeiras
atrações que são. As pessoas aprenderam a valorizar
o nosso trabalho, e principalmente, a valorizar o retorno financeiro
fabuloso que é investir num bom DJ.
A
única coisa que ainda me deixa triste é a falta de união
e cooperação entre os próprios DJs. Várias
pessoas vivem me perguntando porque eu gasto tanto dinheiro para manter
um site que divulga meus concorrentes. A resposta é simples:
faço isso porque acredito que informando e divulgando melhor
a categoria como um todo, todos saem ganhando, inclusive eu.
Parece um trabalho idealista, realmente parece,
mas que começa a dar resultados concretos, depois de 3 anos
de investimentos próprios. Não só o retorno financeiro,
como o patrocínio da Motorola, mas também corporativo.
Vários DJs, do Brasil todo, me agradecem diariamente por ajudá-los
em seu trabalho, com informações preciosas sobre equipamentos,
softwares e músicas. A gravadora Building, a maior do mercado
dance brasileiro, adotou como seu chart oficial o Top15 da RadioDJ,
em uma de suas publicações. O curso de DJs da RadioDJ
já está em sua décima primeira turma, com mais
de 120 alunos formados, vários deles já trabalhando
efetivamente em casas noturnas e festas.
A
RadioDJ hoje é só uma sementinha, com a mesma filosofia
da que plantei há 11 anos, quando decidi ser DJ e lutar pelo
reconhecimento desse trabalho, junto com tantos outros DJs da época.
Espero que, com a ajuda de todos, regando e cuidando, e principalmente,
espalhando essa semente pelo mundo, possamos melhorar ainda mais a
nossa profissão: a de ser DJ, com orgulho!
Ronaldo Gasparian
RadioDJ.com.br
gas@radiodj.com.br
(fotos: O Fuxixo, Revista Caras)