A justiça americana
decide adiar o fim do Napster, marcando uma nova audiência para
o dia 18 de agosto, depois da apelação feita pelos advogados
da empresa, com a alegação de que se isso ocorresse, resultaria
em sua falência imediata. Mais do que um software que permite a
troca de arquivos MP3 entre seus usuários, o Napster trouxe à
tona a discussão dos métodos e preços da velha indústria
fonográfica.
Para
você que esteve de férias nesta última década,
e não sabe do que estamos falando, vai ai uma breve explicação:
o Napster é um programa que possibilita a troca de arquivos de música,
em formato MP3, entre qualquer micro do mundo que esteja conectado aos seus
servidores. Em resumo, seria a mesma coisa que estar na casa de um amigo,
pegando cópias perfeitas dos CDs que ele tem por lá. Só
que imagine você e mais aproximadamente 4000 pessoas conectadas ao
mesmo tempo, e mais de 500.000 músicas pra você escolher, tudo
isso de graça. Um sonho, não é?
É, mas nos últimos dias, Shawn Fanning, do alto de seus 19
anos, o inventor e "dono" da Napster Inc., não tem tido
muito tempo para sonhar com os milhões que valem o seu produto. A
RIAA, com ajuda de algumas bandas enfurecidas com a perda de lucros, estão
processando a empresa, com a alegação de estimular a pirataria.
O caso Napster tem se transformado numa infindável em novela. Essa
semana, os advogados da empresa conseguiram adiar a sentença da juíza
Marilyn Patel, que suspendia suas operações. A reversão da
ordem foi um duro golpe na RIAA, cujo processo contra a Napster tornou-se
um marco na defesa dos direitos autorais na Internet. Enquanto isso, até
o dia 18 de agosto, a enorme legião de usuários do sistema
comemora e continua fazendo suas "trocas" sem problemas. Para
ódio de alguns, e deleite de vários, Tudo continua como estava.
Mas, junto com essa novela de fecha-continua, o mais importante fato trazido
à tona são os milhões que a indústria fonográfica
fatura, cobrando preços as vezes impossíveis para um mercado
já tão retraído. Talvez fosse o caso de abaixarem os
preços de CDs e disponibilizarem downloads de músicas por
preços razoáveis na rede. Tenho certeza que ninguém
trocaria um CD com encarte e fotos de seu ídolo por uma música
abaixada pelo Napster, se tivessem preços compatíveis. O problema
é concorrer com alguém que fornece a música de graça,
uma concorrência desleal.
Vamos esperar o próximo capítulo dessa novela, que ao meu
ver ainda vai longe. E se terminarem com o sistema da Napster, softwares
similares surgirão e tomarão seu lugar. O Gnutella e o CuteMX
já são bons exemplos. Se eu pertencesse à indústria
fonográfica, me preocuparia em desenvolver algo que possa substituir
o formato atual e também novos métodos de lucrar. O negócio
da venda de CDs tende a ficar restrito ou mesmo terminar se algo não
for modificado rapidamente. Começar baixando preços seria
uma ótima saída. Os artistas têm menos a perder, já
que é impossível piratear um show ao vivo. Hoje, shows são
a fonte principal de renda dos artistas, não a venda de CDs.
Nada vai impedir o surgimento de programas e alternativas para a troca
de arquivos digitais na rede, e voltar ao passado não é mais
possível. A criatividade, depois do aparecimento da Internet, é
indispensável, e o talento, insubistituível.
Abraço! Ronaldo Gasparian
gas@radiodj.com.br |