Hello my dear
friends on RadioDJ,
Mais uma vez por terras tupiniquins estamos começando o ano,
já que por aqui as coisas realmente começam a rolar só depois do Carnaval.
E é justamente nessa época que o mercado da Dance Music se aquece no Brasil,
depois das "modinhas" passageiras da folia de Momo. Graças a Deus!!!
Modismos musicais à parte, vamos falar hoje de uma prática muito
comum nas rádios de todo o mundo, o "jabá".
Muitos torcem o nariz para ''ele'', mas essa forma de se trabalhar determinadas
músicas nas rádios é importante para todos os lados envolvidos. O ''jabá''
(que neste caso não tem nada a ver com o alimento nordestino) é , para quem
não sabe, uma espécie de compensação financeira ou em forma de prêmios que
as gravadoras passam para as rádios em troca de execuções de suas músicas.
Em toda minha carreira no rádio , já vi de tudo ligado aos ''jabás'',
mas o mais importante é que o diretor ou proprietário da emissora, o utilize
com bom senso , sem deturpar o estilo da emissora, seja ele qual for.
Infelizmente não é isso que normalmente acontece, mas as coisas hoje são
melhores do que eram há uns 8 ou 9 anos atrás, quando certas rádios tocavam
o que viesse em busca da grana ''fácil'' . Hoje esse trabalho é bem mais
profissional, com cada lado (rádio e gravadora) respeitando situações e
seus esquemas, um não exagerando com o outro.
Mas por outro lado, existem emissoras no Brasil que acabam
nem tendo um departamento comercial e que vivem exclusivamente do ''jabá''.
É claro que temos muitas dificuldades financeiras e econômicas por aqui,
mas ao ponto de se usar um veículo de comunicação apenas para se ganhar
grana, sem respeito nem pelos profissionais ou pelos ouvintes, aí já acho
demais. As rádios mais profissionais do país sabem que se querem crescer
ou se manter bem posicionadas, não podem se entregar totalmente.
Mas o ''jabá'' só rola no Brasil? Não! Nos Estados Unidos ele
é chamado de ''payola'' e é muito utilizado também, inclusive na Europa
e pelo mundo afora. Lá inclusive o sistema já é extremamente bem feito ,
mais estruturado, isso porque a maioria das rádios é de propriedade de grandes
corporações.
Mas nem por isso tudo é perfeito por lá também, muitas vezes
existem exageros no número de execuções diárias de certas músicas ou alguns
diretores o utilizam com fins de melhorias pessoais e outros rolos mais.
No Brasil acho que outros profissionais envolvidos com as músicas
nas rádios, como produtores , programadores e locutores, deveriam não receber
talvez diretamente ''grana'' desse ''jabá'', mas sim mais facilidades, como
cds, ingressos para determinados shows de participação da sua rádio e até
uma espécie de prêmio (aí sim, podendo ser até em dinheiro) por sua divulgação
durante o ano ou algo assim.
Muitos podem até dizer que o profissional já recebe seu salário
para cumprir sua função, mas acho que esse tipo de "incentivo'' seria muito
bem vindo por todos da categoria, que já é tão péssimamente remunerada.
Falo isso não para ''puxar a sardinha para a minha brasa'' como locutor,
mas para tentar melhorar essa situação. Sei até hoje de vários casos de
pessoas que se dizem profisionais e que utilizaram esses esquemas de ''jabá''
para obter vantagens pessoais de vários tipos. Mas vamos deixar isso para
lá.
O fato é que como disse no início, o ''jabá'' é importante para
as emissoras de rádio, mas deve ser melhor utilizado, para não afastarmos
os ouvintes das emissoras comerciais. O lance é se fazer um trabalho conjunto
dentro de cada emissora e envolver a equipe toda no processo, selecionando
as músicas, ajudando em como se utilizar os recursos que irão ser repassados
e no final ajudar a todos, de uma maneira ou de outra.
Não deixe de mandar seu e-mail mandando suas idéias e sugestões
para o nosso editorial no endereço editorial@radiodj.com.br
. Na próxima a gente vai falar dos novos rumos da Dance Music para esse
novo milênio.
Grande Abraço,
God bless you,
Ruy Balla |