É difícil encontrar iniciativas parecidas
com a do Napster, a qual consegue gerar, em poucos meses, milhões de usuários
com uma finalidade única e objetiva. O Napster surgiu para preencher uma
lacuna existente na época. Lacuna que se transformou em utopia diante
das investidas da indústria fonográfica com o apoio das leis de direitos
autorais, as quais muitas vezes sequer beneficiam o artista que deveria
ser o principal interessado em defender o copyright para não ter prejuízo.
A impossibilidade de continuar mantendo um sistema similar
ao Napster, que tem como base um servidor central para gerenciar e monitorar
o fluxo de usuários e downloads, fez surgir os aplicativos genuinamente
P2P (peer-to-peer), onde cada pessoa é um ponto e um servidor ao mesmo tempo.
Em tese, é impossível rastrear uma rede assim; o que dificulta - ou impossibilita
- uma descontinuação por ordem judicial.
Com o fechamento temporário do Napster e, por conseguinte,
dos milhões de downloads efetuados pelo programa, a solução encontrada por
internautas foi sair em busca de substitutos. Entre os aplicativos similares
ao Napster, alguns tornaram-se bem conhecidos: iMesh, AudioGalaxy
Satellite, Gnotella, WinMX, Aimster, entre outros.
Entretanto, poucos parecem ter conseguido fazer o mesmo barulho
que três novos programas começam a fazer. Estamos falando do KaZaa, Morpheus
e Grokster.
Os três poderiam figurar apenas como novas alternativas no
rol de soluções para trocar músicas pela Internet. Ledo engano. Ambos integram
a tecnologia Fast Track P2P Stack, cuja principal característica é prover
uma considerável estabilidade e consistência na troca de arquivos, dois
fatores cruciais em programas que independem de um servidor central para
gerenciar as contas e transferências de usuários, como o Napster. Outra
vantagem é que os três usam uma rede única, isto é, são interligados entre
si.
O KaZaa foi desenvolvido pelos próprios donos da empresa Fast
Track, enquanto o Morpheus é da conhecida MusicCity.com. Ambos
contabilizam, hoje, uma média de 1,5 milhões de usuários simultâneos - o
mesmo número do Napster, antes dos filtros - e fazem parte da lista dos
programas mais baixados no site Download.com, da CNet.
A exemplo dos aplicativos da era pós-Napster, eles não permitem somente
a troca de músicas, mas também de jogos, programas, vídeos, imagens, textos
etc. É aí onde entra a polêmica judicial. A priori, por não contarem com
um servidor central de gerenciamento e monitoração, eles não podem, em tese,
ser fechados.
Com uma interface fácil de usar, comunicação instantânea e
ferramentas de avaliação da qualidade dos arquivos, o KaZaa e o Morpheus
proporcionam um desempenho invejável, pois usam uma técnica de download
distribuído, ou seja, baixam arquivos de várias fontes ao mesmo tempo, o
que aumenta a velocidade e garante uma estabilidade que antes só se conhecia
no Napster. É quase como uma segunda geração do P2P. Quanto maior a rede
fica, mais rápidos e estáveis ficam os downloads, que também podem ser resumidos
após uma interrupção qualquer.
Não há duvidas de que ainda há muito rumos a serem tomados
no cenário da música digital. Restará ao mercado decidir qual deles será
seguido. Nada garante que, daqui a pouco tempo, KaZaa, Morpheus e Grokster
não fechem por ordem da Justiça, mesmo sendo P2P. Aos usuários, resta acreditar
que a indústria fonográfica se adapte à realidade da música digital gratuita.
Paulo Rebêlo
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