Editorial - #14 - Os fazedores de lembranças

09/12/2001 - por: Diego Briganti - Acessos: 1.977

Meu nome é Diego Briganti, trabalho como DJ há mais de 13 anos. Tenho 26 anos de idade e sempre tive a música como guia em minha vida. Recordo minhas fases pelas músicas. Quantas pessoas não fazem isto? Quantas pessoas não sabem em que ano conheceram aquela pessoa, viveram aquele momento especial sendo feliz ou triste? Com certeza sabemos a música que ele(a) mais gosta, a música que estava tocando naquela noite...

Este é o meu papel: fazer com que as pessoas aproveitem ao máximo sua diversão. Fornecer a matéria prima para que as pessoas construam seus momentos. Cantar, pular, dançar, viajar através de um dos sentidos: a audição. Seria este o mais forte e audacioso dos sentidos? Com certeza é um dos mais importantes para nós, fabricantes de lembranças e arrepios nas pistas de danças de todo o mundo: o DJ.

A profissão de DJ está hoje mais conhecida e difundida. Num passado recente era incomum, senão excêntrico ser DJ. Era uma profissão carregada de preconceito onde o trabalho era menosprezado e pouco reconhecido profissional e financeiramente. Hoje, o campo de possibilidades profissionais aumentou assim como o número de novos DJs.

Ser DJ aparenta ser uma atividade tranqüila e alegre, decorrente da satisfação de estarmos num ambiente de vários sonhos e egos. As pessoas que se encontram nos estabelecimentos que trabalhamos interagem conosco como uma válvula de escape em direção a felicidade, diversão, fantasias, esquecendo sadiamente o cotidiano e as tensões do dia-a-dia.

Infelizmente temos o lado de não sermos reconhecidos. Podemos dizer que atualmente o trabalho de pessoas que prestam serviços, de modo geral, está muito desvalorizado. Há uma legislação arcaica que não respeita a importância e responsabilidade de nosso serviço.

Fazem parte da noite o "promoter", crítico musical, cenografo, dentre outros. Estar sempre bem informado e humorado, saber o mínimo de técnicas para criar mixagens. Um trabalho que não se dá apenas no momento da festa ou evento, mas sim, durante todos os dias de todos os meses. O DJ não se reduz ao instante de apresentação.
O DJ é personagem importante deste cenário, esquece sua vida e incorpora o personagem em todos os segundos do show. O "feeling" que se confunde com talento circula à flor da pele. Ver a satisfação e alegria das pessoas não tem pagamento, principalmente no momento atual de mundo que vivemos. Infelizmente existe um alto preço que estamos pagando: o do não reconhecimento pelo nosso trabalho, devido principalmente a desunião da classe dos DJ's e a falta de conhecimento do público em geral sobre nosso trabalho.

Com tantas ramificações particulares do exercício da profissão, a vida de DJ é delicada, já que sacrificamos nossa saúde (os horários de sono e alimentação são alterados) para construirmos nosso objetivo que é o da criação da magia do entretenimento. Dormimos quase ao amanhecer e temos que acordar cedo para resolvermos os assuntos de todas as ordens, tais como técnicos, reuniões, compras de materiais e equipamentos, assuntos que só podem ser resolvidos durante o dia.

A RadioDJ é um novo canal aberto entre os consumidores, curiosos, admiradores e profissionais do ramo que articularão uma nova visão do trabalho de DJ. Esperamos que esta abertura possibilite trocas continuas de informações e comunicações entre todos os profissionais da área em direção a conscientização de uma classe profissional. Sempre inovando, marcando um espaço de contato para todos os que se interessarem pelo serviço dos "fazedores" de lembranças, arrepios, pernas cansadas, suores e sensações das pistas de todo o mundo.

Usem mais deste canal, sempre. Sejam bem-vindos, welcome!

Diego Briganti


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