O conceito é
velho, mas a discussão é nova. Na história, o homem
sempre cria conflitos entre velhos e novos costumes. Não seria diferente
para a cena eletrônica, que atualmente divide-se entre o uso do CD
e do disco de vinil. Os velhos valores simbolizados no disco de vinil, atingidos
pela influência capitalista, criaram preconceitos contra os novos
valores por sentirem-se ameaçados de extinção. O novo
sempre provocará o temor ao velho.
Junto a isto, alia-se a necessidade do homem idealizar sua
vida para que ela torne-se importante. Alguns aproveitam esta fraqueza
revestindo o preconceito com uma suposta roupa de atitude: Fuck
the CD! Real DJs play vinyl. Os novos adeptos de uma cultura que
estão conhecendo, aderem ao movimento sem ao menos refletirem qual
a vantagem de um CD, não percebendo o verdadeiro objetivo por trás
de tudo.
A realidade é que o CD e o disco de vinil têm
vantagens e desvantagens e nenhum é melhor que o outro, pois isto
depende de vários fatores. Usar um destes meios de transmitir música
ainda permanece uma escolha profissional para qualquer DJ. Concluir que
usar CD colabora para a extinção do disco de vinil é
um erro irrefletido, de alguém que ainda não percebeu a diferença
entre cultura underground e comercial.
O vinil sempre foi uma peça excepcional, dando liberdade
para o DJ utilizar várias técnicas que o CD não permite.
Além disto, a qualidade encontrada na reprodução do
disco de vinil é muito melhor, pois opera de forma analógica
levando as próprias vibrações da música para
a caixa de som. Porém, a desvantagem encontra-se na sofisticação
de peso, tamanho e resistência. Ao contrário, o CD é
pequeno, leve e muito mais resistente se comparado com o disco de vinil.
Além disto, armazena muito mais tempo de música de forma organizada,
utilizando-se de várias opções do aparelho reprodutor.
Mesmo assim, não oferece a liberdade que só o
disco de vinil possui. Portanto, trocar um pelo outro depende de onde e
para qual fim o DJ vai usá-lo.
No meio comercial, o uso do disco de vinil tornou-se obsoleto.
Esta troca do disco de vinil pelo CD foi natural, pois supriu uma exigência
dos próprios consumidores da música. Como poderia um DJ esperar
semanas para tocar um lançamento europeu em disco de vinil, se na
mesma semana já havia um álbum de CD com este lançamento
disponível?
Assim o disco de vinil deixou de ser um meio de transmitir
música, mas apenas na cultura comercial. Os DJs que valorizam um
público fiel a seu estilo não precisam do CD, pois preferem
carregar um peso nas costas para oferecer qualidade e técnica, ao
invés de apenas escolher algumas música e tocá-las
sem ordem definida. Utilizam o CD apenas como uma ferramenta, para experimentar
músicas antes de serem lançadas em vinil ou presentearem o
público com seus "sets".
Assim, o preconceito contra o uso de CD é infundado
porque baseia-se no medo por uma coisa que não está acontecendo.
DJs ainda compram discos de vinil (principalmente pela Internet) para
mostrarem qualidade para seus ouvintes. Nenhum é ameaça
para o outro, pois o uso de cada um ainda é um direito de escolha. A melhor analogia para mostrar como o preconceito ao uso de
CD não passa de um comportamento irrefletido é a literatura:
desde que inventaram o livro, ele nunca desapareceu, pois ele tem características
únicas. Podem inventar outros meios de transmitir idéias
como Internet, revistas e multimídia. Mas nada vai substituir o
prazer que se encontra na leitura de um livro. Com o disco de vinil não
é diferente. Preconceito ainda é um costume velho...
Augusto Croppo |