Indústria fonográfica deve rever modo de fazer negócios.
Os processos de direito autoral são justos, mas o problema não
está apenas nos usuários
Processar uma menina de 12 anos por troca ilegal de arquivos na internet
não é a maneira ideal de gerar uma boa imagem. Mas a indústria
fonográfica estava intencionalmente "bancando a durona"
quando entrou com um processo na semana passada contra Brianna LaHara e
outros supostos 260 usuários de serviços de troca online de
música. Empresas têm o direito de perseguir pessoas, mesmo
menores, que roubem seus produtos, mas isso sozinho não resolverá
seus problemas. Elas precisam mudar o modo como conduzem seus negócios,
e rapidamente - se quiserem sobreviver no século 21.
As vendas do setor estão caindo. São muitas as razões,
vão desde o crescimento da popularidade dos DVDs e jogos de computador,
que competem pelos discretos dólares dos jovens, até os preços
pesados que a indústria coloca atualmente em CDs. Mas os 11 milhões
de lares que hoje em dia trocam ilegalmente arquivos, por meio do Napster
e de sucessores como Kazaa e WinMX, são uma grande parcela do problema.
Um analista estima que a troca de arquivos custa US$ 700 milhões
em vendas por ano.
Os processos desta semana representam a melhor estratégia legal
da indústria fonográfica. A corte havia decidido que serviços
de troca de arquivos como o Kazaa não poderiam ser processados diretamente
porque não mantém diretórios centrais de arquivos musicais
para cópia. A indústria, então, focaliza seu poder
de fogo legal em indivíduos que se apropriam de músicas por
meio desses serviços.
Alguns usuários reagiram nervosamente a esses processos, afirmando
não saber que a troca de arquivos era ilegal, ou ainda culpando o
alto preço dos CDs.
Mas roubar é roubar e esse roubo tem vítimas, dificulta a
vida do artista e, ao mudar a economia da indústria, dificulta a
tomada de novas decisões. O único modo de a indústria
se defender é na Justiça, contra aqueles que infrigem as leis
dos direitos autorais.
Mas as empresas também precisam se adaptar aos novos tempos. Consumidores
não querem mais pagar US$ 18 por um CD, preço exorbitante
em termos absolutos e também quando comparado com outras formas de
entretenimento. A recente decisão da Universal Music de reduzir seus
preços em até 30% é um exemplo a ser seguido.
A indústria também precisa incrementar sua tecnologia. Internautas
trocam arquivos não apenas porque é de graça, mas também
porque é conveniente.
Querem pegar as músicas que preferirem sem serem forçados
a comprar um CD inteiro. Lojas de música na internet, que mantém
preços baixos ao eliminar várias etapas de produção,
são a onda do futuro. A Apple anunciou na semana passada que sua
loja virtual, criada há quatro meses, acaba de vender a canção
de número 10 milhões.
A indústria fnográfica pode, e deve, continuar a proteger
suas propriedades intelectuais. Mas somente melhores sistemas de venda online,
e executivos desenvolvendo melhores políticas de preços, podem
salvar a indústria.
Christie Johnston/AP |