A música não está morrendo, ao contrário do que dizem as previsões apocalípticas da indústria fonográfica. Na verdade, ela está vivendo uma era de ouro porque os enganos das grandes gravadoras abriram oportunidades para que músicos e empreendedores independentes liderem o mercado numa nova direção, disse Mark Cuban, um dos fundadores do site Broadcast.com, dono do time de basquete Dallas Mavericks e presidente da HDNet.
Cuban fez seus comentários durante e depois de um debate sobre governo, legislação e o futuro da música como negócio na conferência anual de música independente South by Southwest, ou SXSW, ontem. "Se você é um consumidor de música, este é um tempo de glória", disse. "É uma grande época para quem não está tentando proteger suas práticas ancestrais de comércio".
"Em vez de atender ao público, que quer ter acesso à música pelo caminho mais curto, as gravadoras estão tentando forçar as pessoas a fazerem as coisas do seu (das gravadoras) jeito", afirma Cuban. "Existem inúmeras oportunidades não-aproveitadas".
Em vez de se concentrar nas oportunidades que as novas tecnologias podem oferecer, os chefões das grandes gravadoras - Universal, BMG, EMI , Sony e Warner - têm se preocupado mais com a manutenção dos seus empregos, acrescentou Cuban. Para isso, eles precisam encontrar um bode expiatório para a queda nas vendas de CDs. "E o bicho-papão mais fácil é a pirataria", declarou.
Enquanto as gravadoras se queixam da ação dos piratas, está claro que a tecnologia digital deu mais controle a alguns artistas. Os músicos independentes a utilizam para fazer e vender seus próprios discos e arrebanhar fãs via Web e correio eletrônico. Basta ver a popularidade da prória SXSW, que atrai mais de 20 mil músicos e fãs, para compreender a força da música independente, disse Cuban. "Acredito que existe hoje mais gente participando do mundo da música do que jamais houve", concorda Jay Boberg, fundador do selo IRS Records e ex-presidente da CA Records, que também participou do debate".
O processo lento pelo qual os artistas independentes constróem sua base de fãs concentrando-se em algumas cidades de cada vez, por exemplo, é algo com o que as gravadoras de grande porte poderiam aprender algumas lições. "Desembolsar US$ 1 milhão para contratar uma banda e depois gastar muito mais do que isso promovendo-a não faz sentido", disse Boberg. As apresentações das bandas precisam corresponder ao dinheiro investido e as gravadoras não têm paciência para incubar bandas novas. Segundo Boberg, as bandas independentes têm hoje a oportunidade de criar sua própria definição de sucesso.
Mas mudar a forma pela qual as grandes gravadoras fazem negócios na era digital não será nada fácil, acrescenta Boberg, comparando a transição com a diferença de dificuldade em se manobrar um jet-ski e um transatlântico - e as gravadoras, obviamente, são o navio.
O painel, que também incluiu Don VanCleave, presidente da Coalizão de Lojas Independentes de Música e o marqueteiro Jeff McClusky, também debateu odisco Gray Album, do DJ Danger Mouse, que emergiu da cena underground para se tornar um dos mais procurados da Internet.
O disco traz mixagens de músicas dos Beatles e de Jay-Z, e conquistou um exército de fãs na Internet. Mas a EMI, que detém os direitos sobre as músicas dos Beatles, forçou o DJ a parar de vender o material. Os fãs, então, foram à Internet e passaram a baixar cópias ilegais. Atualmente, não há como obter uma cópia do disco legalmente. "Não há dúvidas de que esse é um fenômeno empolgante, e as estações de rádio vão querer tirar proveito dele", disse McClusky.Katie Dean
Wired
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