Gravação de DVD's
Imagine você, depois de meses de uma dura economia, vai até uma loja e compra o seu primeiro gravador de DVD. A primeira imagem que lhe vem à cabeça é começar a distribuir filmes para os amigos e fazer back-ups de arquivos monstruosos de uma vez só. Esqueça tudo isso. A gravação de DVD (Digital Versatile Disc) implica numa série de questões que podem muito bem tirar o seu cavalinho da chuva. O principal problema é a incompatibilidade entre os dois formatos existentes atualmente, o DVD Forum (DVD-R) e o da DVD+RW Alliance (DVD+R). Logo depois vem a qualidade e preço das mídias para a gravação. Por último, vem com o complicado impasse do que fazer com os leitores domésticos que foram fabricados antes de 2000/01. Aparelhos antigos não lêem produtos gravados fora das grandes produtoras como Videolar e Universal Music Group.
Toda essa confusão só traz problemas para uma única parte, o usuário final. Sem resolver todas essas questões fica praticamente impossível produzir um DVD confiável, ou seja, alguma mídia que funcione em todos os leitores vendidos atualmente.
A briga entre o DVD Forum e a DVD+RW Alliance está apenas em fase de aquecimento. Vai vencer no final quem conseguir fechar a equação preço e confiabilidade. Por hora, apenas o primeiro grupo pode se vangloriar de ter mais gravadores vendidos. Só que ninguém pode prever o futuro e a inversão do quadro é perfeitamente possível.
DVD-R DISPARA CONTANDO COM A EXTENSÃO TOP OF MIND
O formato desenvolvido pelo fórum não consiste apenas em uma extensão, o já bem conhecido DVD-R. Na realidade, é um pacotão de arquiteturas chamada de "DVD Multi". As extensões desse pacote que definem quais aparelhos ou tecnologias que devem ser utilizadas para uma determinada aplicação, seja ela vídeo ou áudio. DVD-R de autoria profissional, DVD-R para uso doméstico, DVD-R, DVD-RAM e DVD-Audio são as principais opções.
De certo mesmo, o DVD-R é a principal extensão para gravação de discos da DVD Forum. É justamente ele o mais aceito pelo mercado hoje em dia. Empresas como Pioneer, Apple, IBM, LG, Samsung e Sony já fabricam produtos para produção de mídias com o formato. Mesmo sem considerar o apoio maciço de diversas companhias, o -R realmente é o que atinge atualmente a maior compatibilidade entre os leitores de CD vendidos nas lojas.
Boa parte dos profissionais do setor já aposta suas fichas no DVD-R até mesmo por motivos econômicos. "O DVD-R me dá uma garantia de 95% de compatibilidade com os leitores do mercado. Ele compensa muito mais do que o +RW até mesmo porque as mídias dele são mais baratas", disse Émerson Jordão, gerente técnico da Pinnacle.
Para se ter uma idéia do que a idéia de economizar uma verba e ainda garantir mais compatibilidade com as outras pessoas já fez, basta olhar o número de gravadores vendidos. De acordo com a Techno Systems Research, serão vendidos mais de 3,2 milhões de aparelhos DVD-R até o final deste ano. O arqui-rival DVD+R, que tem a HP como líder, chegará no máximo até os 1,5 milhões de dispositivos comercializados. "É aquele negócio, eu quero produzir um filme, ou uma cópia dele, o DVD-R me permite fazer isso mais facilmente e isso é que define o jogo", disse Jordão.
"Um fator que pesa muito é a questão do próprio posicionamento da indústria", explica Sergio Brandão, responsável pela área de produtos industriais da Pioneer. Segundo ele, uma vez que a grande maioria das fabricantes já adotou o DVD-R, dificilmente o padrão não será líder do mercado. "Não é questão de uma única empresa, mas de uma série de marcas que apostam muito dinheiro nisso, com certeza isso não vai ser em vão", afirmou Brandão.
DVD+R REPRESENTA HIPÓTESE MAIS MODERNINHA
O DVD-R indica que já é o mais utilizado pelo mercado, mas existem controvérsias. Não só na questão técnica, como também nos índices de utilização. A DVD+RW Alliance se mexe para ameaçar o domínio do formato arqui-rival. Dell, HP, Mitsubishi, Philips, Sony e Yamaha arregaçam as mangas para tal tarefa.
A principal dificuldade de quem vende os gravadores da tecnologia é a questão da compatibilidade. Muito embora a aliança das companhias mostre índices de até 90% nos atuais leitores do mercado, as produtoras de DVD contam outra história. É unânime, agências de publicidade e de vídeo não utilizam a alternativa +R.
Mesmo assim, as fabricantes do grupo +RW reafirmam a soberania do seu padrão. "O +RW é formado pela indústria eletrônica, desenvolvemos um padrão mais abrangente ao usuário", reafirma Mity Kato, gerente de produtos da Dell sobre DVD+RW. "O -RW é formado por um subgrupo da indústria", adiciona Kato.
É o que confirma Alfredo Gallinucci, gerente de desenvolvimento da MicroService. Na visão do profissional, a estratégia da HP e Philips pode virar o mercado. "Veja bem, a Philips e a HP são gigantes, uma na área de consumo de vídeo e outra na de informática e isso é fundamental", lembra Gallinuci.
Se o -RW é um subgrupo ou não, do lado técnico, a alternativa do símbolo + começa a dar sinais que realmente pode inverter o jogo em termos de supremacia tecnológica. Logo de cara, a aliança conseguiu desenvolver gravadores que preenchem um DVD inteiro em menos de 15 minutos. Somente agora os gravadores -RW chegam a essa velocidade.
Vale lembrar também que é a opção que consegue chegar mais perto da harmonia entre áudio e vídeo no DVD. "O disco +RW, quando aceito, roda mais rápido no computador e quando é colocado no leitor comum, o de casa, o vídeo também fica melhor", confirma Alfredo.
Um fato significativo que pode virar o jogo para a DVD+RW Alliance é um suposto apoio da Microsoft. Se o Windows XP, por exemplo, definitivamente der suporte ao +RW, muitos usuários vão pensar duas vezes antes de comprar qualquer produto -RW. A possibilidade não passa, no entanto, de rumor não-confirmado.
RW EMPERRADO COM A INDEFINIÇÃO
Quando se fala de DVDs regraváveis, a história é outra. Tanto o formato da DVD Forum, quanto o da DVD+RW Alliance, estão em marcha lenta. As duas opções ainda dão muito prejuízo para os usuários. Mídias e mídias são perdidas se a gravação não for feita com muito cuidado.
O problema todo se resume ao método de gravação do DVD. A mídia tem que ser "queimada" de uma forma em que o nível de reflexão do laser do aparelho leitor seja muito precisa. No caso, o CD que é lido em apenas um lado deve ter um retorno dos raios de luz na faixa dos 45 a 85%. Quando as informações são colocadas nas duas faces do disco, a proporção vai para 18 a 30%. Por menor que seja o desvio dessa faixa, já significa erro na leitura. Esta é a questão central para o formato RW.
Geralmente, tanto o DVD-RW, quanto o DVD+RW, patinam nessas proporções. A grande maioria dos gravadores acaba por não respeitar essas taxas para colocar mais dados na mídia. Não importa a marca do aparelho, o problema acontece.
Por hora, o mais recomendável é não utilizar nenhum tipo de RW para casos em que é necessário distribuir a mídia para os seus amigos ou clientes. Ele só pode ser utilizado em casos de back-up interno e ou fins semelhantes.
Afinal de contas, o bom DVD é aquele que funciona em qualquer lugar. Fazer um regravável é pedir dor de cabeça. Pelo menos por enquanto.
OS DVDS E O COMBATE À PIRATARIA
O preço de uma mídia de DVD perto de uma de CD comum é assustador. Um disco de “marca” do formato pode chegar aos seus R$ 80. Diferenças técnicas a parte, muitos usuários começam a cogitar a questão do combate a pirataria como justificativa a escalada dos valores cobrados.
De qualquer forma, a idéia foi totalmente descartada pelas produtoras de DVD. Segundo Rodrigo Pellicciari, gerente de produtos da Apple, o raciocínio não tem o menor fundamento. "O travamento antipirataria fica por conta dos softwares de autoria de DVD, não está relacionado com a mídia", disso ele.
Na opinião do executivo da Apple, o preços dos DVDs e até mesmo dos gravadores é diretamente proporcional a guinada do dólar no último semestre de 2002. Fora o fato que o conceito de gravar mídias do gênero ainda está “muito cru”. "A tendência é baixar o preço. Será questão de dois anos no máximo para o preço melhorar muito", completou Rodrigo.
USUÁRIO DE DVD E FILOSOFIA CINEMATOGRÁFICA
O usuário que comprou um gravador, independentemente do formato, pode ficar injuriado com as diferenças entre o seu DVD e o vendido nas lojas. A mídia comercial com filmes ou shows tem mais horas de vídeo que a feita em casa.
Muitos podem até pensar que deve ser uma tecnologia de gravação diferente, mas a história não é bem por aí. Existem, realmente diferenças entre os formatos utilizados entre as megagravadoras e o que o usuário final utiliza. Porém isso não chegaria a implicar em uma diferença tão grande de número de horas aproveitadas em uma mídia.
A chave do sucesso dos DVDs de shows e filmes é a qualidade da mídia utilizada. As grandes produtoras de produtos do gênero utilizam um DVD que além de poder gravar nos dois lados, têm duas camadas de metal em cada superfície. Uma batizada de "reflexiva" e outra de "semi-reflexiva".
Todos os DVDs vendidos no atacado não têm essa estrutura de dupla camada em cada lado. No máximo o que se tem no atacado são mídias graváveis nas duas faces, nada mais. Em poucas palavras, o mercado em geral distribui mídias de menor capacidade que as utilizadas pelas gravadoras.
Para se ter uma idéia, os DVDs de show podem chegar até os seus 17 GB de espaço. Uma "normal", vendida nas lojas de informática, chega no máximo até os seus costumeiros 9,4 GB (4,7 GB de cada lado).
De qualquer forma, é bom ter cuidado com as mídias de DVD. A Flexplay, por exemplo, desenvolveu uma tecnologia de bloqueio da leitura do CD após um certo tempo. É realmente questão de se precaver, num futuro bem próximo às fabricantes podem lançar produtos “graváveis” com prazo de validade. Pode parecer loucura, mas tudo é possível nesse faroeste.
Em notícia de 26 de fevereiro de 2003: MICROSOFT DECIDE APOIAR O FORMATO DVD+RW
A "Aliança DVD+RW", grupo de empresas que promove e desenvolve o formato DVD+RW, anunciou que a Microsoft é sua mais nova integrante.
Além disso, a gigante do software terá um lugar em sua equipe de determinação de políticas, composta por representantes da Dell Computer, Hewlett-Packard, Mitsubishi Chemical/Verbatim, Philips, Ricoh, Sony, Thomson e Yamaha.
O rival "DVD Forum", formado pela Apple Computer, Hitachi, NEC, Pioneer, Samsung e Sharp, defendem os formatos DVD-RAM e DVD-R.
Ambas as partes vêm competindo entre si para tornar seu formato o padrão do mercado.
A decisão da Microsoft não é uma grande surpresa, já que no ano passado, ela apresentou um software com suporte para o formato, que estará incluido em seu próximo Windows. Apesar disso, a Microsoft também oferece suporte para o formato DVD-RAM em seu Windows.
O apoio da Microsoft ao DVD+RW pode ser importante para determinar o formato dominante na luta pelo mercado.
GRAVADORES DISPONÍVEIS
FORMATO DVD+RW ALLIANCE
- HP DVD Writer dvd200i (também suporta DVD-R)
Interface: IDE;
Capacidade de Armazenamento: 4,7GB em DVD ou 700 MB em CD;
Velocidade de gravação: 2,4x máxima;
Preço sugerido: R$ 2.999
- HP DVD Writer dvd200e
Interface: USB 2.0 e IEEE 1394;
Capacidade de Armazenamento: 4,7GB em DVD ou 700 MB em CD;
Velocidade de gravação: 2,4x máxima;
Preço sugerido: R$ 3.499
- Pioneer DVD DVR-A04S
Interface: ATAPI;
Capacidade de Armazenamento: 4,7GB em DVD ou 700 MB em CD;
Velocidade de gravação: 2x;
Preço sugerido: US$ 680
- Philips DVDRW208
Interface: ATAPI / E-IDE Ultra DMA;
Capacidade de Armazenamento: 4,7GB;
Velocidade de gravação: 2,5x;
Preço sugerido: R$ 2310
FORMATO DVD FORUM
- Pioneer DVD PRV-9000
Interface: FireWire IEEE 1394;
Capacidade de Armazenamento: 4.7 GB;
Velocidade de gravação: 1x (real time);
Preço sugerido: R$ 6.990,00
- Pioneer DVD DVR-A04S
Interface: ATAPI;
Capacidade de Armazenamento: 4.7 GB;
Velocidade de gravação: 2x;
Preço sugerido: US$ 680
Escrito por Alexandre Mandl da MAGNET - Copyright © 1998-2002