Os números semestrais da RIAA para os EUA no mês passado mostraram que as receitas gerais de download digital (incluindo ringtones etc.) nos seis meses cairam 26,5% em comparação com o mesmo período de 2017 e o faturamento de seis meses do 1º semestre  2018 nos Estados Unidos (US$ 562,2 milhões) foi menos da metade do número registrado três anos antes (1º semestre de 2015, US $ 1,25 bilhão).

Só que o Beatport ignorou totalmente essa tendência e só cresceu.

A plataforma de venda de música eletrônica abandonou sua tentativa de streaming para voltar a focar em downloads em 2016 – então contratou o fundador da INgrooves, Robb McDaniels, no ano passado para dirigir seu navio.

O Beatport alcançou um crescimento de receita de download de faixa global ano-a-ano de 8% no primeiro semestre de 2018 em comparação com o mesmo período do ano passado.

Nem tudo isso vem dos mercados emergentes: as vendas por download da Beatport nos Estados Unidos aumentaram 7% no primeiro semestre de 2018, enquanto a Alemanha subiu 5% e o Reino Unido aumentou 12%.

Resumindo: o Beatport percorreu um longo caminho desde que quase faliu sob o antigo proprietário SFX e foi adquirido pela LiveStyle.

“BEATPORT É MUITO SAUDÁVEL E RENTÁVEL E TEM SIDO HÁ ALGUM TEMPO.” ROBB MCDANIELS

Quanto ao motivo pelo qual o Beatport está crescendo enquanto o mercado todo encolhe as vendas de downloads, McDaniels argumenta que a comunidade de DJs – o público central do Beatport – ainda não adotou o streaming, e muitos deles nunca o farão.

“Para a maioria dos DJs profissionais de hoje, o download de áudio de alta qualidade e o uso de pendrives e HDs em seus shows ainda é a maneira preferida de fazer o trabalho”, diz ele.

“Há vários problemas com o streaming de músicas em locais de festas e eventos. Obviamente, como DJ profissional, você não pode sofrer ou lidar com interrupções. E, em termos da qualidade da música, você tem que ter esse arquivo de qualidade de CD – ou qualidade de .wav para os shows maiores.”

A Beatport reconhece, no entanto, que seu futuro tem que estar em mais do que apenas downloads. A empresa ainda é uma criadora de tendências – McDaniels alega que a Beatport criou recentemente o gênero “Melodic House & Techno”, que se tornou o gênero número 5 mais popular na plataforma em apenas alguns meses.

O futuro da empresa, ele diz, será definido por novas iniciativas de produtos lançadas no próximo ano. Na verdade, esses produtos são quase totalmente destinados a entusiastas e DJs profissionais.

“Nossa pesquisa mostra que 60% de nossos 35 milhões de visitantes anuais se consideram DJs, apresentando uma enorme oportunidade de mercado para nós”, diz McDaniels.

Um serviço de assinatura de usuário é o foco central, que oferecerá grandes descontos embutidos em downloads a cada mês.

Também previsto para o lançamento em 2019: uma integração da loja Beatport nas principais empresas de software de performance para DJs – utilizando a tecnologia da Pulselocker, que a empresa adquiriu recentemente.

“ESTAMOS INVESTINDO MILHÕES DE DÓLARES PARA MELHORAR E ATUALIZAR NOSSA INFRAESTRUTURA E LANÇANDO NOVOS PRODUTOS.”

E, finalmente, a empresa planeja relançar a Beatsource para atender ao mercado Open Format com mais músicas pop, hip-hop, R&B e latinas.

“A LiveStyle está apoiando o reinvestimento de nossos lucros no futuro da empresa e no que acreditamos ser o futuro da experiência de DJ”, explica McDaniels.

McDaniels diz que a Beatport espera que a receita de assinaturas cresça rapidamente – para representar um terço da receita de suas lojas em 2019 e dois terços em 2020.

A integração contínua aos softwares profissionais para DJs e os dados e relatórios que acompanham isso – assim como o fácil acesso a todo o catálogo Beatport – conduzirão essa transição, diz ele.

Ele acrescenta: “Assim que lançarmos o que estamos trabalhando em 2019, eventualmente os DJs não precisarão baixar áudio de alta qualidade – eles poderão acessá-lo diretamente através de seu software preferido. Isso abrirá uma incrível variedade de oportunidades para que os DJs tenham acesso a mais músicas em tempo real.”