O que Nina Kraviz, Flying Lotus, Palms Trax, Fatima, Akiko Kiyama, Sassy J e Hudson Mohawke têm em comum?

O que une improváveis palestras de nomes como Brian Eno, D’Angelo, Björk, Iggy Pop, Sheila E, Wu-Tang Clan, Jeff Mills, Rakim, Questlove, Goldie e Laurent Garnier?

A resposta é: Red Bull Music Academy.

Infelizmente, um dos principais projetos musicais vigentes comandados por uma marca chegará ao fim em outubro de 2019.

Pioneira em iniciativas de branded content, a gigante das bebidas energéticas anunciou em abril o desligamento da RBMA e da Red Bull Radio.

O legado da Music Academy é impressionante e inspirador: fundada em 1998, a plataforma promoveu a cultura alternativa ao redor do globo e deu voz a artistas que não surfavam no mainstream, mas que tinham potencial criativo imenso e que não seguiam regras.

Montando instalações em vários cantos do mundo, como África do Sul, Nova York, Bélgica, Berlim e São Paulo, a RBMA promoveu workshops, keynotes, festas, shows e gravações. Tudo em altíssimo nível de qualidade, seja na curadoria artística ou na disponibilização de equipamentos musicais, instrumentos e estúdios.

Força criativa e vanguardista da RBMA, a Yadastar foi o braço direito menos conhecido da Red Bull. A empresa é uma agência alemão de marketing e consultoria que comandou o lançamento da empreitada e alçou a marca a um patamar de autoridade raro no meio.

A Red Bull Music Academy ainda contava com uma publicação online diária, a RMBA Daily, com análises extensas e histórias instigantes sobre como a música muda a realidade e a cultura em todos os confins do planeta.

Justificando o fim da plataforma, tanto Red Bull quanto Yadastar foram políticos: ambas emitiram comunicados padrões em que exaltavam as conquistas, com agradecimentos ao público e aos artistas que fizeram parte da trajetória.

A Pitchfork, em artigo recente, analisou o cenário de forma mais ampla e concluiu que a decisão deve ter se sustentado no argumento de que, bem, a RBMA não seria a iniciativa mais lucradora da Red Bull.

E apesar dos lucros bilionários e da exposição massiva de marca, a empresa encara alguns desafios e cenários curiosos: o dono da empresa não tem um sucessor óbvio; cargos tomadores de decisão em empresas como a Red Bull mudam com frequência; executivos procurando cortes no orçamento podem ver a iniciativa musical como um “alvo fácil”; crescentes preocupações de saúde em relação a bebidas energéticas e açucaradas podem ter um efeito devastador na conta do conglomerado, entre outros.

Deixando um legado importantíssimo (informações sobre possíveis acessos ao arquivo da plataforma ainda não foram divulgadas), a RBMA se despede em alguns meses.

Apesar disso, a empresa-mãe promete continuar as operações de seu braço musical que não eram ligadas à Yadastar, como a Red Bull Records e o Red Bull Music Festival.